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Jason Bourne – Crítica Sem Spoilers

Em 1980 o escritor Robert Ludlum apresentava ao mundo a sua versão americana do 007: A identidade Bourne (The Bourne Identity). Um espião perfeito imbuído de um patriotismo sem precedente desenvolvido por psicólogos da CIA, a agência de inteligência americana, para nunca fazer sequer uma indagação sobre suas missões e cumpri-las de forma direta e eficiente. Fluente em várias línguas de forma a enganar até mesmo um nativo, domina diversas formas de artes marciais e conhecimento tático em espionagem, além de possuir uma inteligência muito acima da média.  Jason Bourne tem todos os ingredientes de uma personagem que vem para agradar ao público pós onze de setembro. Logo, foi um sucesso imediato e hoje já nos brinda com mais de 12 títulos.

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Todos foram um sucesso de crítica e de vendas. No entanto, não só por vender algo que o público quer, mas por possuir um ritmo narrativo que te prende da primeira à última página. Ludlum sabe como enganar aquele leitor que gostar de deduzir o que vai acontecer no capítulo seguinte deixando a história realmente imprevisível. Para os que conhecem o autor sabem que ele já fazia isso muito bem desde os anos 70, como por exemplo em Gêmeos não se amam e O Pacto Cassandra. Era inevitável que Hollywood não fosse colocar isso nas telonas e apresentar o personagem ao mundo todo. Foi escolhido para o papel 31624título o ator Matt Damon e para a direção, o competente Doug Liman. Nisso em outubro de 2002 os fãs da franquia conheceram seu personagem favorito com o filme A identidade Bourne. O sucesso foi imediato e Jason Bourne caiu na graça do grande público.  Os produtores então viram que tinham uma mina de ouro ali, com um excelente ator para o papel além da vantagem de vários livros já publicados contendo ótimas histórias. Com isso em 2004 vimos A Supremacia Bourne e em 2007 O ultimato Bourne. Ambos com a direção frenética e também de peso de Paul Greengrass. Todos sabiam que Hollywood havia encontrado a nova “menina dos olhos” para trazer dinheiro para seus cofres, no entanto não contavam com a decisão de Damon em não querer voltar para um quarto filme sem a presença de Greengrass na direção. Temos que lembrar que Matt Damon conhece um jason-bourne-story_647_042216115508pouco deste universo, tendo ele mesmo ganhado um Oscar de melhor roteiro no filme Gênio Indomado (Good Will Hunting) de 1997. Como os produtores não conseguiram fazê-lo mudar de ideia e aceitar o diretor escolhido para a nova continuação e queriam fazer um filme o mais rápido possível para continuar gerando dinheiro, acharam então melhor esquecer o personagem principal e usar o também competente Jeremy Renner com o filme O Legado Bourne (The Bourne Legacy) em 2012 com direção de Tony b732bce9abf116ce954e4490cfdb927dfe1ad94c67ff2e5e9c59c647af3f819dGilroy. Apesar do nome do personagem está o tempo todo sendo ouvido nesta continuação e da boa atuação de Renner com seu personagem Aaron Cross (Devo ressaltar que foi uma surpresa não terem dado o personagem para Renner, pois Hollywood é bem conhecida por trocar atores a seu bel prazer) e tendo uma boa bilheteria em seu primeiro fim de semana nos Estados Unidos, a reação do público não foi muito positiva. Afinal as pessoas foram para o cinema querendo ver Jason Bourne e não um substituto. Hollywood teve, então, que aceitar os termos impostos por Matt Damon que provou seu ponto de vista. O público realmente gosta de Jason Bourne.

Novas negociações foram feitas e após longos 4 anos e muito dinheiro em cima da mesa, Damon e Greengrass se reuniram para o mais recente filme Jason Bourne (2016).

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A história agora praticamente esquece tudo que foi visto no filme anterior, e parece realmente uma continuação do terceiro filme. Entretanto, diferente dos anteriores, vemos um Jason Bourne menos crível. Apesar do plot bem elaborado e do roteiro (inferior aos anteriores, devo ressaltar) bem amarrado os fãs vão perceber um personagem mais apático. Paul Greengrass traz uma direção mais cheia de closes, principalmente Jason-Bournenas cenas de ação, o que, na minha opinião, faz com que diminua um pouco o personagem que se tornou fonte de longos bate papos por conta das habilidades em lutas e de como elas eram incrivelmente bem filmadas. Lutas essas, que vão ficar devendo infelizmente. Jason resolve alguns de seus confrontos apenas com um único soco.

Mesmo com a presença sempre bem vinda de Tommy Lee Jones como o chefe da CIA Robert Dewey e do muito mal aproveitado Vicent Cassel como um dos agentes que darão trabalho para Bourne, o filme acaba sofrendo o triste destino de ser comparado com ele mesmo. As jogadas inteligentes e ações mirabolantes que vemos tantos nos livros quanto nos quatro Jason-Bourne-trailer-03filmes anteriores são apenas um tira gosto neste aqui. Devo dizer que o anterior de 2012 chega a ser bem melhor, mesmo não tendo o personagem principal

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. Aqui vemos Bourne em conflito novamente querendo saber do seu passado mais profundamente o que acaba gerando uma série de situações que, sinceramente, seriam facilmente resolvidas pelo Jason do primeiro filme em menos tempo e com mais eficiência. Alguns rostos velhos e novos também dão seu ar da graça neste novo filme, mas sem nenhum lampejo que mereça destaque. Isso inclui Alicia Vikander, conhecida pelo premiado Ex machina (2015), que desempenhou com maestria Vincent-Cassel-Bourne-o papel da androide Ava, mas que aqui apenas dança discreta no enredo como apenas uma válvula de escape que serve para rapidamente resolver dilemas que poderiam ter um desenrolar muito mais criativo.  Temos também alguns furos de texto e continuidade que até os mais ingênuos neste gênero de filme vão perceber e se perguntar como foi possível tal situação.maxresdefault

Entretanto, vale a pena ver o filme, pois novamente temos um herói que ganhou mérito e prestígio junto ao público e que salva nas poucas cenas que lembram a maestria dos três primeiros filmes, mas que é verdadeiramente inferior aos seus predecessores.

Com toda certeza vale o ingresso, mas não se sinta mal se sair com um sentimento de quero mais. A bilheteria do filme não foi ruim, com cinquenta milhões de dólares em seu lançamento, porém inferior aos sessenta e nove milhões da cópia de 2012.

 

Acredito que iremos ver Jason Bourne em novos filmes, já que seu criador Robert Ludlum ainda tem muito para contar sobre ele. Além disso o termômetro do sucesso ou não de Jason Bourne vai fazer com que os produtores repensem algumas decisões tomadas.

Minha nota é um 7,5 e esperando uma continuação que honre os três primeiro filmes.


Nome: Jason Bourne
Direção: Paul Greengrass
Quarto filme da franquia Bourne

Gênero: Ação, Thriller
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Duração: 123 minutos


Sinopse
Fora do radar como lutator de rua, Jason Bourne (Matt Damon) é surpreendido por Nicky Parsons (Julia Stiles), que o procura oferecendo novas informações sobre seu passado. Inicialmente resistente, ele acaba voltando aos Estados Unidos para continuar a investigação e entra na mira do ex-chefe Robert Dewey (Tommy Lee Jones), que teme mais um vazamento de dados. Dentro na CIA, no entanto, a novata Heather Lee (Alicia Vikander) acredita que tentar recrutar Bourne para a agência seja a melhor solução.

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