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Esquadrão Suicida – Crítica Sem Spoilers

Confesso que tenho muito prazer em ver os filmes inspirados em personagens da DC, pois, diferente dos da Marvel você fica remoendo tudo aquilo por um bom tempo. Acredito que seja pela familiaridade que tenho com os personagens por ser um leitor voraz de seus quadrinhos desde 1979.  O trio Batman, Superman e Mulher Maravilha foram os primeiros heróis que me encantaram e graças à boa editora EBAL, que me apresentou a eles, tenho essa grande simpatia   por cada um. Logo é muito natural que tal sentimento se espalhe para os personagens secundários também.

maxresdefault (1)O Esquadrão Suicida teve sua primeira aparição em 1959 e, alimentada pela série Missão Impossível e filmes como Os doze condenados, se tornou um achado de publicação sendo uma ideia genial, pois responderia à velha pergunta “O que acontece com estes vilões quando os heróis os prendem?”  Ora, montar um time de vilões condenados para fazer algo de positivo era algo fenomenal! Primeiro porque seria um exercício muito bom para escritores da época e, melhor ainda, mostraria para os leitores que até os seres mais cruéis eram capazes de um ato de bondade e de “amor ao próximo” (neste caso o próximo eram sempre eles mesmos).Brave_and_the_Bold_v.1_25

Porém com o tempo a revista foi se tornando repetitiva, já que os heróis passaram a tomar atitudes mais cruéis que muito dos antigos vilões. Reuni-los seria apenas chover no molhado.  O mundo depois de O cavaleiro das Trevas e Watchmen havia mudado muito a relação – herói e fã. Afinal, quem iria querer saber agora de personagens de terceira lutando contra terroristas em algum país da América do Sul? Cabe lembrar que as primeiras aventuras desse esquadrão não tinham super-vilões, apenas condenados com habilidades especiais, mas não necessariamente poderes.

Em 1986 a série retorna agora com histórias mais bem elaboradas e com os super-vilões cumprindo a função de salvar o dia, no entanto as narrativas ganharam outro mote. Nesta série eles resolviam problemas como lutar contra invasões alienígenas secretas ou criaturas de outras dimensões. Isso tudo devido ao tempo “indisponível” dos super-heróis. As revistas tinham vendas suficientes para se manter no mercado, principalmente com o advento da Suicide_Squad_Vol_4-30_Cover-1inversão de valores que teve seu bum ainda nos anos 80 e com a participação de grandes personagens como o Pistoleiro, por exemplo, que ganhou graças em séries de TV e desenhos animados. O vilão era mal, mas não era tolo e ingênuo como os heróis. Eles falavam o que pensavam, mesmo quando não eram populares e era isso que fazia deles especiais e queridos pelos novos leitores. Quando você se perguntar por que o He-Man saiu do mercado saiba apenas que os bonecos dos vilões tinham mais saídas e a forma doce e meiga de um homem muito forte, que mesmo segurando uma espada não era nada agressivo, deixou de convencer o público. Veja, por exemplo, as lutas livres americanas. As pessoas amam odiá-los. Não seria diferente nos quadrinhos, ainda mais com uma quantidade infinita de vilões que surgiram para enfeitar as páginas de tantos outros super-heróis.

Entretanto, quando fui ver o filme, eu esperava algo não necessariamente grandioso. É sabido que eles não iriam gastar muito com personagens não conhecidos do grande público, porém muitas edições atuais do Esquadrão tinham plots maravilhosos, os quais poderiam caber no orçamento. Eh, mas o que foi entregue está longe do que realmente os fãs mereciam. Ou seja, a DC fez de novo.suicide-squad-esquadrao-suicida-3

Eu realmente acreditei que como os dois primeiro filmes da nova safra trouxeram um caráter mais sombrio em sua fotografia, este filme teria algo com mais requinte de crueldade, por assim dizer. Afinal é uma equipe de vilões.

Alguns amigos até falaram que o problema seria os atores escolhidos, mas depois de ver o filme ficou claro que eles não atrapalharam em nada. Mesmo o Crocodilo, vivido por Adewale Akinnuoye-Agbaje, sendo pouca coisa mais alto que a Arlequina não atrapalhou tanto, muito menos a troca de etnia do Pistoleiro. O problema do filme está em seu roteiro.

tfmsswsMas aí, alguns vão dizer que estou me repetindo, pois eu disse o mesmo de Batman Versus Superman.  No entanto, infelizmente a falta de norte da equipe de roteiristas deixou uma lambança de erros de continuidade que beira ao ridículo em muitas das situações. Até um estudante de primeiro ano de cinema consegue ver as cenas que foram plantadas em pós produção.

 Para começar a trama do filme é a própria solução do filme. Isso mesmo. Quando você lê uma edição dos personagens nos quadrinhos você realmente compra a ideia de que se precisa de uma equipe deste naipe no mundo. Afinal alguém tem que fazer o trabalho sujo. No filme, entretanto a visão é completamente diferente. A primeira missão da dita equipe é contra … Pasme … eles mesmos.

Amanda Waller vivida pela competente Viola Davis está perdida no filme. Até começa bem, mas depois os roteiristas fazem uma bagunça com a personagem que você não entende para onde isso vai caminhar. Nos quadrinhos ela tem a resposta antes da pergunta. Aqui ela não merece o cargo que tem junto ao governo.Suicide-Squad-Movie-Amanda-Waller-Role

O Pistoleiro, vivido por Will Smith, e a Alerquina, na pele de Margot Robbie, estão ótimos nos personagens e realmente roubam toda a cena com piadas bem colocadas e abordagem sentimentais que alegraram quem foi ver o filme, mas é só isso. Este é o único ponto positivo que aponto para o filme.

A presença de Batman e do Coringa que imaginei servir como catalisador de alguma situação, foi, na minha opinião, meramente para dar beleza ao bolo. Traduzindo. Eles não fizeram a menor falta. Acho que os autores poderiam ter ousado mais com eles, ou mesmo deixado mais simples como foi feito com um terceiro super que também dá as caras no filme e assim, dando a eles uma importância mais satisfatória.  Se você perceber bem terá a impressão que depois do filme pronto eles colocaram cenas extras com estes dois maxresdefault (2)personagens.

Para os que admiram os personagens nos quadrinhos também vão estranhar muito Rick Flag. A postura de líder e a eficiência para comandar uma equipe bizarra como esta não estão ali. Pior. O que vemos é um personagem cheio de sentimentos que parece o tempo todo se fazer de durão, mas é pior que o unicórnio de pelúcia que o Capitão Bumerangue carrega o tempo todo e que você não tem a menor ideia do porquê disso, pois assim como parece importante para o personagem desaparece durante o desenrolar do filme. Aliás o Capitão Bumerangue, vivido por Jai Courtney, está mais alucinado e desiquilibrado que o próprio Coringa.jai

Falando nele, não tem como dar um parecer concreto sobre o Coringa, de Jared Leto, já que ele nada mais é que um personagem secundário no filme. Tivemos apenas um vislumbre do que poderá ser o novo Coringa. Mas de cara posso adiantar: Você com certeza vai colocar na mesa a competência deste Coringa e o do excelente Heath Ledger, mesmo sabendo que são realidades diferentes. Porém, eu não consegui ver o Coringa louco e estranho neste filme. Ele no máximo estava para um tipo excêntrico. SUICIDE SQUAD

Os demais personagens são tão apagados devido a presença de artistas como Smith, por exemplo, que em certos momentos do filme até me esqueço deles.

maxresdefaultQuanto ao vilão, que como disse poderia ter sido evitado desde o começo, tinha um potencial muito bom, se fosse colocado em outro contexto da história. Por exemplo … Se não tivesse contato algum com Amanda. Teria um sentido mais interessante e você compraria a trama muito melhor. Porém como todo bom filme de roteiro fraco, tudo acaba bem mesmo que não agrade ninguém. Logo o filme acaba … acabando.esquadraosuicidacartaz01061

Minha visão desta versão dos Guardiões da Galáxia da DC não poderia ter sido mais decepcionante, entretanto o filme não desagrada a quem não conhece nada dos personagens. Pois é superior por exemplo a um filme das Tartarugas Ninja. Pessoas que estavam em minha volta apreciaram o filme e o acharam muito divertido. Então caso você seja uma dessas pessoas, que não se liga muito em comparar quadrinhos e cinema, o filme é uma boa pedida e vale com certeza o ingresso. No entanto se você já tem aquela bola na garganta desde Homem de Aço, aconselho não perder seu tempo.

Minha nota é um bom 6 devido aos atores e em especial a Robbie, que salvou a personagem Arlequina. Ela está simplesmente fantástica no papel .


Nome: Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
Direção: David Ayer
Gênero: Ação, Fantasia e Policial
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Duração: 123 minutos


Sinopse
Reúna um time dos super vilões mais perigosos já encarcerados, dê a eles o arsenal mais poderoso do qual o governo dispõe e os envie em missão para derrotar uma entidade enigmática e insuperável que a agente Amanda Waller (Viola Davis) concluiu que só pode ser vencida por indivíduos desprezíveis e com nada a perder. Quando os membros do improvável time percebem que não foram escolhidos para vencer, mas sim para falharem inevitavelmente, será que o Esquadrão Suicida decide ir até o fim tentando concluir a missão ou a partir daí é cada um por si?

Informe SoNerd #10

Batman v Superman – Tudo o que cai fica no chão. (Segunda Opinião)

Batman v Superman (BvS), novo Filme da DC no Cinema, Dirigido por Zack Snyder (Watchmen), tem dividido opiniões, mesmo entre os Nerdossauros houve divergência. Esse artigo, portanto, se trata de uma segunda opinião… (Sem revelações e enredo)

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Mas Primeiro vamos esclarecer uma coisa sobre Batman V Superman: “Tudo o que cai fica no chão”. Essa é a frase de abertura do filme, narrada por Bruce Wayne, e, de certa forma, a tese geral do filme. Preste bastante atenção: É uma contraposição ao celebre ensinamento de Thomas Wayne enunciado durante a trilogia Nolan: “Para que caímos?” “Para aprendermos a nos levantar”. Essa contraposição é forte! Demonstra intensamente a desilusão de uma criança que perdeu os pais, e junto com eles, o sentido do mundo e, inclusive, dos conselhos de seu pai, que caído, não se levantou. O filme não tem nem 1 minuto e já tem uma densidade fenomenal.

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Mas como assim essa frase é uma tese? Bem, trata-se de uma “lei”, que rege o comportamento e a história de todos os personagens, desde a queda de Bruce Wayne num buraco cheio de morcegos, até a queda de kal-el num campo do Kansas… e de outros personagens também. Aí um pouco de poesia visual entra em ação, a câmera foca coisas caindo o tempo todo, e para te ajudar a perceber que foi de propósito, Snyder deixa em câmera Lenta. E como tudo o que cai permanece caído… a luta é para não cair… e essa é a tônica do Filme, dois super-heróis que estão na beirada do abismo, prestes a cair…

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O ambiente de trevas é evidente, tons escuros são a regra. A claridade sempre aparece distorcida, ofuscante, combinando com o desespero dos personagens, que em oposição clara, se veem com pouco apoio, por um lado Superman é massacrado pela política, e Batman pela sensação de impotência perante um sujeito endeusado por muitos, e como um bom paranoico, Batman não consegue confiar nele. Mas vamos falar um pouco de como estão os personagens no filme:

  • Batman: É mostrado da forma mais quadrinística até hoje, até sua roupa nos remete mais aos quadrinhos, com tom acinzentado, mais sombrio, poucos sorrisos, muita maxresdefaultdissimulação, uso de dispositivos plausíveis, investigações decentes, interrogatórios violentos, como nos quadrinhos pós “Cavaleiro das Trevas”: Um Homem Transtornado, além de um bat-móvel diferente, mas que combinou com tudo. Atuação brilhante do Affleck, que mostrou que não sabe apenas demolir os filmes de heróis, demonstrou-se um ótimo Batman mais velho, com delírios e sonhos que nos tiram da realidade e nos coloca na cabeça do personagem, essas cenas inclusive se constituem das mais interessantes e ganchos muito importantes.
  • Superman: Está mais sombrio, de fato, mas principalmente mais profundo, com dramas existenciais severos, de identidade e em sofrimento, principalmente por ser anacrônico… como assim? Snyder conseguiu colocar na tela de cinema o drama do azulão tentar ser o mesmo de 1938, 80 anos depois (Isso rendeu até uma piada). Esse drama é resolvido pelo personagem com sua atualização. Agora a coisa fica um pouco complicada… O personagem é o mesmo, o mundo que mudou, e ele teve que se reformular. Se na década de 30/40 ele defendia a liberdade, a justiça e o estilo de vida americano, e era o deus do “Destino Manifesto” dos EUA, hoje não é diferente. Nesse filme ele persegue batman-v-superman-easter-egg-2terroristas, invade países periféricos e se mete em guerras como se fosse o quintal dele, ao menos é o que parece… (Mas isso só é novo no cinema, nas HQ isso acontece desde 1986). A atuação de Henry Cavill “cai” como uma luva nesse “novo” super-homem.
  • Mulher Maravilha: Com um tom mais misterioso ela aparece flutuando, não literalmente, coberta por uma aura de poder visível há 42Km de distância. Ela banca bem a espiã, que caiu no mundo dos homens e agora não consegue se desvencilhar dele. batman-v-superman-trailer-2-070-1280x533Foi mantido o visual clássico adaptada às cores mais escuras do filme, e não fica para trás nos dramas e conflitos, que apesar de não explorados em sua plenitude estão ali. Gal Gadot, para combinar com a personagem, está maravilhosa, mostrando toda a força e o prazer que uma guerreira amazona sentiria em batalha. Além de ser o gancho em personagem para o filme da liga da justiça.
  • Lex Luthor: Simplesmente brilhante, totalmente diferente do que tem sido fora dos quadrinhos, nos remete a era de prata dos quadrinhos, um Lex Luthor com planos batman-vs-superman-ewsecretos de um cientista maluco, doido por tecnologia alienígena e como corrompê-la da forma mais inescrupulosa que pode. Sai o Luthor empresário comedido e dissimulado e entra um cientista, também empresário, maníaco e psicótico, sedento por poder, não dinheiro, mas poder. Não nego que Jesse Einsenberg deu uma exagerada… Fala tão malucamente e ri tanto que parece o coringa, fala tanto em enigmas que parece o charada. Apesar disso descaracterizar um tanto o could-lex-luthor-s-hair-in-batman-v-superman-just-be-a-wig-739132personagem, é um ótimo vilão… ainda dissimulado, versado no jogo político, cruel e ALTAMENTE manipulador, medonho e um ótimo páreo aos nossos heróis. Vale lembrar que ele é um personagem jovem e ainda em construção, acredito que ele vai se modificar muito ainda.
  • Alfred: Sarcástico e lamentador como sempre. Incrível atuação de Irons. Um pouco diferente do Mordomo-pai. Menos introspectivo, mais side-kick, mas longe de descaracterizá-lo, pois se mantém como a consciência do patrão e tenta sempre convencê-lo a ter uma vida normal.
  • Lois Lane: Participa do filme, bem em segundo plano, mas ativamente, oqvbcz36r7fyyalegpvaprincipalmente em nível emocional. Demonstra inteligência e sagacidade e principalmente amor ao alienígena de Krypton. Relação essa que é quase o cerne da psicologia do Azulão e tem importância decisiva nesse filme e vai dar pano pra manga ainda.
  • Apocalipse: Origem criativa e inovadora, totalmente adaptada para o enredo do filme.

Sobre o caos e a destruição presentes no filme: nem se compara a vista em Homem de Aço, inclusive o exagero dessa destruição é motivo debatman-v-superman-movie-doomsday-trailer várias situações nesse filme, que teve a preocupação de mostrar um plano de vilania inteligente, mais limpo e preciso, menos catastrófico, razoavelmente sutil e com poucos danos colaterais… ou quase, mas todas muito bem indicadas e explicadas, sem sobras. (A comparação com os filmes Sr. Bay é um exagero).

batman-vs-superman-trailer-image-1A participação, mesmo que pontual, de gente como Neil deGrasse Tyson marca a tentativa de transformar o ambiente e o conflito dos personagens como algo generalizado, mundial. As questões abordadas são temas da sociedade como um todo, não apenas deles.

Uma coisa que me chama atenção no filme são as dualidades propostas: Céu e Inferno; deuses, anjos e Demônios; Luz e Trevas, Gênesis e Apocalipse, Voar e Cair, Vida e Morte, e como elas mudam de conceito para cada personagem e suas manifestações inesperadas ao longo do filme.  Outra situação interessante é mostrar como Batman e Super-homem são parecidos, de cara ambos declaram que vivem suas vidas à sombra de seus pais, na esperança de alcançar a luz, que nunca vêm… olha a tese de novo. Mas calma, o Filme se chama: “O Alvorecer da Justiça” (Em tradução livre), quem assistir, e prestar atenção, vai descobrir por que.

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As múltiplas referências aos quadrinhos (conseguir aliar as 3 mais famosas graphic novels dos personagens de maneira coesa, sem parecer couxa de retalhos e sem perder a alma das  cenas referidas é um baita dum ponto positivo), a maneira inovadora de se mostrar os supers no cinema tem me agradado e caracterizado os filmes da DC, aliada a uma carga emocional e conceitos bem fortes, e de forma não explícitos, levando Necessariamente o espectador a um exercício mental me leva a dar Nota: 8,3.

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Alguns Alertas Sobre BvS:

  1. É um filme forte, bem violento, a violência dele não está no sangue, mas nas emoções.
  2. É uma sequência de Man of Steel (Homem de Aço), não assistir a esse filme antes faz com que o impacto de algumas situações se perca, mas isso não atrapalha muito, pelo menos não deveria.
  3. Todas as falas tem motivo para estar lá… mesmo que você não perceba no mesmo momento, mesmo que pareçam sem sentido, então: Atenção, esse filme vai exigir muito dela.
  4. É um filme cheio de ganchos… É quase um Gancho gigantesco, mas isso não impede o filme de ter um começo meio e fim. (Para os fãs de longa data, eles são tudo de bom)
  5. Parece que você abriu um gibi e está lendo uma história aleatória, te forçando a descobrir quem é quem na hora e sem dar muitas explicações… Isso faz do filme, na minha opinião, um filme não apenas com personagens de HQ, mas ser DE HQ.


Nome: Batman Vs Superman: A Origem da Justiça
Diretor: Zack Snyder
Baseado nos personagens na DC Comics
Gênero: Aventura, Ação, Ficção Científica
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Duração: 151 minutos

***


Sinopse:
Depois de sua luta titânica contra o General Zod, Metropolis foi arrasada e Superman é a figura mais controversa no mundo. Enquanto para muitos ele ainda é um emblema de esperança, um número crescente de pessoas o consideram uma ameaça à humanidade e buscam justiça para o caos que ele trouxe a Terra.
Até onde Bruce Wayne sabe, Superman é um perigo claro para a sociedade e, por temer o futuro do mundo com alguém com um poder tão imprudente e desgovernado, ele então coloca sua máscara e capa para corrigir os erros do Super-Homem. A rivalidade entre eles é furiosa, alimentada por amargura e vingança, e nada pode dissuadí-los de travar esta guerra.
No entanto, uma nova ameaça obscura surge sob a forma de um terceiro homem: aquele que tem um poder maior do que qualquer um deles para pôr em perigo o mundo e causar a destruição total.

Batman VS Superman repete os erros de Homem de aço e acaba sendo um filme morno.

Diferente de Homem de Aço (2013) não criei expectativas quanto a sua quase continuação; Batman Vs Superman – A origem da justiça. No entanto, imaginando que os escritores teriam uma vasta possibilidade de acertos em fazer este filme onde, afinal de contas, teriam Heróis com uma fonte quase inesgotável de possíveis roteiros ou soma de aventuras tanto vista em quadrinhos quanto em desenhos. Entretanto,  Chris Terrio e Zack Snyder indo contra todas as chances, caminharam na contra mão e desenvolveram um filme com uma identidade estranha, duvidosa e deturpando personagens conhecido pelo público de uma forma pouco inteligente.

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O filme é longo, não por conta do contexto pedir isso. Não. Poderia ter sido bem menor se retirassem cenas que serviram apenas para encher linguiça ou poderia ter o tempo que teve, se houvesse mais amarras no roteiro, mas o que vemos são furos de continuidade que são perceptíveis até por crianças de seis anos.

12fc8f7415061141fc2a79464b7847602475430c05385d5e731e1994b12881c0-1a3650aedfdd3a21444047ed2d89458fLex Luthor (Jesse Eisenberg), parece uma cientista louco de filmes dos anos 40, com olhares e gestos que tocam os vilões dos antigos filmes de 007, ou mais recentemente com o vilão do filme Kingsman interpretado por Samuel L Jackson, mas com menos maestria. Juro que pensei que em algum momento o Dr. Evil ele iria pedir um milhão de dólares ao mundo. O Lex Luthor dos quadrinhos e também io67hnbde filmes e series não é aquilo. E a juventude do personagem não é o problema. Vejam por exemplo o Lex Luthor interpretado por Michael Rosenbaum na serie SmallVille. Não há necessidade de uma vilão no estilo apresentado em BvS. Com isso quero entender o que terá de novo com o Coringa. Fica aqui a expectativa do tipo de doido que ele será.

Superman, (Henry Cavill)  ainda é um estereótipo de Messias, com seus olhares distantes estilo Dr Manhattan e parecendo que aquilo tudo é tão enfadonho exatamente como foi visto no filme o homem de aço. A escolha do ator não é ruim desde Homem de Aço. Sabemos que ele tem uma bagagem artística muito boa para dar mais consistência ao personagem. No entanto vemos um Superman/Clark Kent que vive a fundo as dores da humanidade atual, beirando em alguns momentos à depressão, pois sua vida só parece ter duas felicidades: Lois Lane e Martha Kent.

how-lois-lane-could-have-a-key-role-in-batman-v-superman-dawn-of-justice-amy-adams-as-lo-208416 E sendo um pouco nostálgico o Super Homem de Reeve dava a entender que, apesar de todos seus poderes e capacidades, ele não perdia a estribeiras com a humanidade pois ele tinha fé na capacidade de poder serem bons. Já o Super Homem de BvS é seco quanto a isso, pois mostra sentimentos mais profundos apenas quando toca em seu calo. No caso Lois Lane, interpretada por Amy Adams, que não pode ser a Lois excelente de seu filme anterior, onde se viu meio perdida em um turbilhão de falas mal escritas, e Martha Kent interpretada por Diana Lane que parece que está sempre chapada, pois não existe tempo ruim para ela.

Já o Batman está mais para Frank Castle, mais conhecido

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Jeremy Irons

como O Justiceiro, da Marvel, do que o Batman visto em filmes anteriores e desenhos animados. Não quero tirar os créditos da atuação de Ben Affleck, pois foi o melhor Batman que vi, esteticamente falando, mas toda a sabedoria e sagacidade do detetive maior da DC foi diluído em uma dose pequena no fiel mordomo Alfred (Jeremy Irons).

A luta que foi se desenvolvendo durante todo o filme banhada em sonhos aterrorizantes de uma invasão alienígena, parentes vampiros e uma certa aparição que considero muito importante, mas não fica claro se foi sonho ou realidade. Termina com uma jogada das mais simplórias possíveis, digna do filme que estava na sala ao lado. Os Dez Mandamentos da Record.

***

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O roteiro, quero acreditar, que tentou acertar, mas errou em pontos fortes. Está claro que os roteiristas viram sagas importantes dos quadrinhos, que inclusive foram adaptadas para outras mídias, no entanto acabou sendo um filme de muitas informações e que acaba sendo um prato grande demais para uma fome não tanto exagerada. Vê-se claramente a intenção de BvS ser um filme ponte para outros filmes a serem lançados, que, creio, vão estourar a boca do balão, já que estaremos vendo heróis queridos por muitos pela primeira vez na telona. Mas não acho este visual de texto caminhando para Gods Among Us possa ser uma saída bacana. Mas não vou condenar isso, já que se trata de uma observação pessoal que não se limita aos filmes da DC, mas num todo a representação de destruição sem limites, falta de fé e manipulação exagerada são os eixos para esta nova safra de filmes.

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Logo, se você, como eu, viveu a era de ouro dos quadrinhos de heróis na editora abril pode ficar um pouco surpreso com o que vai ver. Não é de todo ruim. É algo novo baseado em algo clássico, mas não descartável. Para os que vão me odiar por terem adorado o filme, me reservo ao direito de querer as identidades de meus heróis favoritos preservadas. Um Superman que como nas palavras de Christopher Reeve que disse: “ Superman apesar de todos os seus poderes e capacidades olha com tamanha simplicidade para os seres da Terra que beira a ingenuidade.” E de um Batman que não apelaria para o uso de armas de fogo, já que isso ficou marcante em seres de relevância nos quadrinhos, pois foi uma que o criou quando tinha dez anos.

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Mas nem tudo é ruim, e graças a isso o filme não foi um decepção. As poucas cenas com a Mulher Maravilha foram espetaculares e reafirmo que a atriz Gal Gadot fez muito bem seu papel e conseguiu roubar a cena, sendo que o único momento de alegria e aplausos do pessoal do cinema é na hora que ela aparece com o uniforme. Mas confesso que ver os três lado a lado me alegrou bastante.

cwxl-lvuwaatvr8-163070A direção também e impecável, assim como a fotografia.

Quanto a trilha sonora Hans Zimmer se redimiu um pouco pelo trabalho em homem de aço. Criou elementos sonoros que deram ênfase às entradas de Batman e Mulher Maravilha, além de colocar uma coisinha da trilha do superman dos anos 80 lá como cata piolho. Porem as notas sem graça para o super homem ainda estão lá.

O final é um presente de grego à parte, que me levou a uma vontade miserável de haver um pós credito… que infelizmente não aconteceu. Saudades de Marvel! Logo o fim do filme lembra um episódio da netflix, só que sem o menu de ver o próximo.

Se o final é ruim? Não diria isso.

Se vale a pena pagar o ingresso? Sim, pois serão mais de duas horas de um filme, que prende sua atenção, apesar de quase largar antes do final. Logo, na minha opinião, é um filme Bom, pois satisfaz quem gosta dos heróis da DC, mas fica devendo quanto à roteiro. A nota que dou é um belo 7.

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Nome: Batman Vs Superman: A Origem da Justiça
Diretor: Zack Snyder
Baseado nos personagens na DC Comics
Gênero: Aventura, Ação, Ficção Científica
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Duração: 151 minutos

***


Sinopse:
Depois de sua luta titânica contra o General Zod, Metropolis foi arrasada e Superman é a figura mais controversa no mundo. Enquanto para muitos ele ainda é um emblema de esperança, um número crescente de pessoas o consideram uma ameaça à humanidade e buscam justiça para o caos que ele trouxe a Terra.
Até onde Bruce Wayne sabe, Superman é um perigo claro para a sociedade e, por temer o futuro do mundo com alguém com um poder tão imprudente e desgovernado, ele então coloca sua máscara e capa para corrigir os erros do Super-Homem. A rivalidade entre eles é furiosa, alimentada por amargura e vingança, e nada pode dissuadí-los de travar esta guerra.
No entanto, uma nova ameaça obscura surge sob a forma de um terceiro homem: aquele que tem um poder maior do que qualquer um deles para pôr em perigo o mundo e causar a destruição total.