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Esquadrão Suicida – Crítica Sem Spoilers

Confesso que tenho muito prazer em ver os filmes inspirados em personagens da DC, pois, diferente dos da Marvel você fica remoendo tudo aquilo por um bom tempo. Acredito que seja pela familiaridade que tenho com os personagens por ser um leitor voraz de seus quadrinhos desde 1979.  O trio Batman, Superman e Mulher Maravilha foram os primeiros heróis que me encantaram e graças à boa editora EBAL, que me apresentou a eles, tenho essa grande simpatia   por cada um. Logo é muito natural que tal sentimento se espalhe para os personagens secundários também.

maxresdefault (1)O Esquadrão Suicida teve sua primeira aparição em 1959 e, alimentada pela série Missão Impossível e filmes como Os doze condenados, se tornou um achado de publicação sendo uma ideia genial, pois responderia à velha pergunta “O que acontece com estes vilões quando os heróis os prendem?”  Ora, montar um time de vilões condenados para fazer algo de positivo era algo fenomenal! Primeiro porque seria um exercício muito bom para escritores da época e, melhor ainda, mostraria para os leitores que até os seres mais cruéis eram capazes de um ato de bondade e de “amor ao próximo” (neste caso o próximo eram sempre eles mesmos).Brave_and_the_Bold_v.1_25

Porém com o tempo a revista foi se tornando repetitiva, já que os heróis passaram a tomar atitudes mais cruéis que muito dos antigos vilões. Reuni-los seria apenas chover no molhado.  O mundo depois de O cavaleiro das Trevas e Watchmen havia mudado muito a relação – herói e fã. Afinal, quem iria querer saber agora de personagens de terceira lutando contra terroristas em algum país da América do Sul? Cabe lembrar que as primeiras aventuras desse esquadrão não tinham super-vilões, apenas condenados com habilidades especiais, mas não necessariamente poderes.

Em 1986 a série retorna agora com histórias mais bem elaboradas e com os super-vilões cumprindo a função de salvar o dia, no entanto as narrativas ganharam outro mote. Nesta série eles resolviam problemas como lutar contra invasões alienígenas secretas ou criaturas de outras dimensões. Isso tudo devido ao tempo “indisponível” dos super-heróis. As revistas tinham vendas suficientes para se manter no mercado, principalmente com o advento da Suicide_Squad_Vol_4-30_Cover-1inversão de valores que teve seu bum ainda nos anos 80 e com a participação de grandes personagens como o Pistoleiro, por exemplo, que ganhou graças em séries de TV e desenhos animados. O vilão era mal, mas não era tolo e ingênuo como os heróis. Eles falavam o que pensavam, mesmo quando não eram populares e era isso que fazia deles especiais e queridos pelos novos leitores. Quando você se perguntar por que o He-Man saiu do mercado saiba apenas que os bonecos dos vilões tinham mais saídas e a forma doce e meiga de um homem muito forte, que mesmo segurando uma espada não era nada agressivo, deixou de convencer o público. Veja, por exemplo, as lutas livres americanas. As pessoas amam odiá-los. Não seria diferente nos quadrinhos, ainda mais com uma quantidade infinita de vilões que surgiram para enfeitar as páginas de tantos outros super-heróis.

Entretanto, quando fui ver o filme, eu esperava algo não necessariamente grandioso. É sabido que eles não iriam gastar muito com personagens não conhecidos do grande público, porém muitas edições atuais do Esquadrão tinham plots maravilhosos, os quais poderiam caber no orçamento. Eh, mas o que foi entregue está longe do que realmente os fãs mereciam. Ou seja, a DC fez de novo.suicide-squad-esquadrao-suicida-3

Eu realmente acreditei que como os dois primeiro filmes da nova safra trouxeram um caráter mais sombrio em sua fotografia, este filme teria algo com mais requinte de crueldade, por assim dizer. Afinal é uma equipe de vilões.

Alguns amigos até falaram que o problema seria os atores escolhidos, mas depois de ver o filme ficou claro que eles não atrapalharam em nada. Mesmo o Crocodilo, vivido por Adewale Akinnuoye-Agbaje, sendo pouca coisa mais alto que a Arlequina não atrapalhou tanto, muito menos a troca de etnia do Pistoleiro. O problema do filme está em seu roteiro.

tfmsswsMas aí, alguns vão dizer que estou me repetindo, pois eu disse o mesmo de Batman Versus Superman.  No entanto, infelizmente a falta de norte da equipe de roteiristas deixou uma lambança de erros de continuidade que beira ao ridículo em muitas das situações. Até um estudante de primeiro ano de cinema consegue ver as cenas que foram plantadas em pós produção.

 Para começar a trama do filme é a própria solução do filme. Isso mesmo. Quando você lê uma edição dos personagens nos quadrinhos você realmente compra a ideia de que se precisa de uma equipe deste naipe no mundo. Afinal alguém tem que fazer o trabalho sujo. No filme, entretanto a visão é completamente diferente. A primeira missão da dita equipe é contra … Pasme … eles mesmos.

Amanda Waller vivida pela competente Viola Davis está perdida no filme. Até começa bem, mas depois os roteiristas fazem uma bagunça com a personagem que você não entende para onde isso vai caminhar. Nos quadrinhos ela tem a resposta antes da pergunta. Aqui ela não merece o cargo que tem junto ao governo.Suicide-Squad-Movie-Amanda-Waller-Role

O Pistoleiro, vivido por Will Smith, e a Alerquina, na pele de Margot Robbie, estão ótimos nos personagens e realmente roubam toda a cena com piadas bem colocadas e abordagem sentimentais que alegraram quem foi ver o filme, mas é só isso. Este é o único ponto positivo que aponto para o filme.

A presença de Batman e do Coringa que imaginei servir como catalisador de alguma situação, foi, na minha opinião, meramente para dar beleza ao bolo. Traduzindo. Eles não fizeram a menor falta. Acho que os autores poderiam ter ousado mais com eles, ou mesmo deixado mais simples como foi feito com um terceiro super que também dá as caras no filme e assim, dando a eles uma importância mais satisfatória.  Se você perceber bem terá a impressão que depois do filme pronto eles colocaram cenas extras com estes dois maxresdefault (2)personagens.

Para os que admiram os personagens nos quadrinhos também vão estranhar muito Rick Flag. A postura de líder e a eficiência para comandar uma equipe bizarra como esta não estão ali. Pior. O que vemos é um personagem cheio de sentimentos que parece o tempo todo se fazer de durão, mas é pior que o unicórnio de pelúcia que o Capitão Bumerangue carrega o tempo todo e que você não tem a menor ideia do porquê disso, pois assim como parece importante para o personagem desaparece durante o desenrolar do filme. Aliás o Capitão Bumerangue, vivido por Jai Courtney, está mais alucinado e desiquilibrado que o próprio Coringa.jai

Falando nele, não tem como dar um parecer concreto sobre o Coringa, de Jared Leto, já que ele nada mais é que um personagem secundário no filme. Tivemos apenas um vislumbre do que poderá ser o novo Coringa. Mas de cara posso adiantar: Você com certeza vai colocar na mesa a competência deste Coringa e o do excelente Heath Ledger, mesmo sabendo que são realidades diferentes. Porém, eu não consegui ver o Coringa louco e estranho neste filme. Ele no máximo estava para um tipo excêntrico. SUICIDE SQUAD

Os demais personagens são tão apagados devido a presença de artistas como Smith, por exemplo, que em certos momentos do filme até me esqueço deles.

maxresdefaultQuanto ao vilão, que como disse poderia ter sido evitado desde o começo, tinha um potencial muito bom, se fosse colocado em outro contexto da história. Por exemplo … Se não tivesse contato algum com Amanda. Teria um sentido mais interessante e você compraria a trama muito melhor. Porém como todo bom filme de roteiro fraco, tudo acaba bem mesmo que não agrade ninguém. Logo o filme acaba … acabando.esquadraosuicidacartaz01061

Minha visão desta versão dos Guardiões da Galáxia da DC não poderia ter sido mais decepcionante, entretanto o filme não desagrada a quem não conhece nada dos personagens. Pois é superior por exemplo a um filme das Tartarugas Ninja. Pessoas que estavam em minha volta apreciaram o filme e o acharam muito divertido. Então caso você seja uma dessas pessoas, que não se liga muito em comparar quadrinhos e cinema, o filme é uma boa pedida e vale com certeza o ingresso. No entanto se você já tem aquela bola na garganta desde Homem de Aço, aconselho não perder seu tempo.

Minha nota é um bom 6 devido aos atores e em especial a Robbie, que salvou a personagem Arlequina. Ela está simplesmente fantástica no papel .


Nome: Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
Direção: David Ayer
Gênero: Ação, Fantasia e Policial
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Duração: 123 minutos


Sinopse
Reúna um time dos super vilões mais perigosos já encarcerados, dê a eles o arsenal mais poderoso do qual o governo dispõe e os envie em missão para derrotar uma entidade enigmática e insuperável que a agente Amanda Waller (Viola Davis) concluiu que só pode ser vencida por indivíduos desprezíveis e com nada a perder. Quando os membros do improvável time percebem que não foram escolhidos para vencer, mas sim para falharem inevitavelmente, será que o Esquadrão Suicida decide ir até o fim tentando concluir a missão ou a partir daí é cada um por si?

Crítica – A lenda de Tarzan – Sem Spoilers

Desde que Tarzan foi criado em 1912 pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs  para a revista Pulp All-Story muito pouco do que foi dado como característica ao personagem foi mudado. Houveram algumas adaptações apenas colocando o mesmo nos dias atuais, como em muitos de seus filmes mais famosos, sendo que o ator Johnny Weissmuller foi o que mais deu personalidade ao personagem, principalmente com o grito mais conhecido de todos os tempos. A explicação para isso com certeza é o uso dos cenários de época mais caros que os contemporâneos.

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            A África, na virada do século, era um lugar misterioso de cultura rica e repleta de animais selvagens, muitos deles não conhecidos pelo homem. Era um celeiro de ideias pronto para ser usado pois chamava a atenção do mundo todo. Era o mais próximo, talvez,eblion - Copia de viajar para um outro planeta. Afinal você poderia trabalhar desde povos mais avançados tecnologicamente e escondidos no coração da selva até mesmo elos perdidos e animais pré- históricos. Era uma mina de ouro criativa e Edgar Rice Burroughs sabia disso, usando disso quando aventurou-se em outros cenários, como Marte, em a Princesa de Marte, por exemplo.

            No entanto, com o passar dos anos a África foi se tornando menos mágica, e a atenção do grande público começou a mudar de foco, indo procurar novas fontes de entretenimento como a ficção científica e o terror.

            Com o advento da TV o personagem ainda encontrou casa em séries, muitas vezes de baixo orçamento ou desenhos animados que remetiam o personagem a aventuras muitas vezes esdrúxulas.

            greystoke_a_lenda_de_tarzan_plano_critico-599x400 - CopiaTarzan caiu no ostracismo por muito tempo, até que em 1984 vimos o personagem de uma forma mais humana e poética com o filme Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes onde o ator Christopher Lambert incorporou o personagem. Nesta versão que foi muito bem vista pela crítica da época, mas não tão querida pelos fãs mais afincos do personagem, vemos a história do retorno de Tarzan ao seu verdadeiro lar sendo recebido por seu único parente vivo. Lá é apresentado ao seu nome John Clayton III, Lorde Greystoke. O ponto alto do filme é a adaptação de Tarzan em um mundo que não conhecia e de como a selva exercia uma força tarzansobre ele. Apesar do retorno do personagem à linha de tempo original, criada por Burroughs e da atuação excelente de Lambert, Tarzan só teve seu sucesso recuperado com a animação da Disney em 1999, rendendo uma série animada. Após mais algumas tentativas o personagem reaparece nesta nova versão.

            A lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan) mostra uma mistura muito bem feita entre os filmes de 1984 e a animação da Disney. Aqui vemos o personagem já vivendo em suas propriedades e reconhecido como o senhor de muitas terras e recursos. Já vive com sua amada eterna Jane e as famosas referências como “Eu Tarzan… Você Jane.” são usadas como citações à histórias escritas sobre a saga do personagem. Uma forma bonita de levar seu criador ao título de personagem, como um importante biógrafo de ficção de David-Yatessua própria criação. David Yates, conhecido como o diretor dos últimos filmes da saga Harry Potter, faz uma obra de excelência trabalhando com um roteiro muito simples, porém pontual. Aqui vemos o Tarzan das antigas sagas literárias e traz para todos no cinema a mágica da África novamente com uma fotografia deslumbrante.

            650x375_alexander-skarsgard_1590875 - CopiaNa pele do homem macaco agora temos Alexander Skarsgård, bem conhecido pela série True Blood, que desempenha de forma satisfatória o personagem. Entretanto, falta ainda para ele a simpatia tosca do personagem a qual Lambert fez muito bem, porém sem que seja algo a se preocupar, pois ele compensa isso  em cenas de ação. Por sinal ótimas cenas, que apesar da grandiosidade ainda respeita certas lógicas que pareceram exageradas nos primeiros trailers. No papel de Jane vemos a linda Margot Robbie, que se destacou subitamente por seu papel num filme que ainda nem estreou [Arlequina Esquadrão Suicida (2016)]. Apesar de Jane ter sido sempre retratada como um mulher à frente de seu tempo, Margot consegue dá uma pureza e simpatia em sua atuação que encanta muito e até ajuda e respeitar sua veia artística. Já que em Esquadrão Suicida ela viverá alguém muito diferente. A química entre os dois atores é bastante forte. Os olhares apaixonados são tão verdadeiros que você compra o casal com tranquilidade.

Cena-do-filme-A-Lenda-de-Tarzan-1 - Copia            Fazendo o papel de alivio cômico temos Samuel “está em todas” Jackson que faz um ex soldado da guerra civil americana que, supostamente, investiga fatos políticos no Congo. Confesso que o personagem acabou se destacando por conta de Jackson, no entanto sua relevância em muitas das cenas pareceu forçada e na minha opinião ele não estando nelas até ajudaria o filme a se desenrolar melhor. sam-jackson-tarzanApesar da competência de Jackson seu personagem acabou sendo um dos pontos negativos no filme por mostrar algo meio sem nexo histórico. Contudo, suas caras e bocas acabam rendendo vários sorrisos dos lábios do público.

            Além, como eu já disse, do fato de trazer uma certa glória à África, o diretor optou por escolher figurantes em ótima forma física  para representar o povo africano. Isso é positivo pois no passado a imagem de fracos, magros e estúpidos era normalmente dada a eles. Ponto super positivo à David Yates e aos roteiristas Adam Cozad e Craig Brewer.

           waltz No papel de vilão temos Christoph Waltz com seu eterno ar de soberba que já vimos em 007 –Spectre (2015) e em Bastardos Inglórios (2009). O que, apesar de ser muito bom, não traz nada de novo. Neste ponto mostrou ser apenas um vilão aos moldes de filmes como do Indianas Jones, por exemplo. Acredito até que a presença de Waltz sublimou um pouco a participação de Djimon Hounsou, como um líder de uma tribo que corre atrás de vingança contra Tarzan. O personagem carrega uma bagagem emocional tremendaLenda_Tarzan_02 - Copia em suas poucas cenas que mesmo sendo bem menores que as de Waltz acabam, na minha opinião, sendo muito mais relevantes e de respeito.

            Apesar de ser uma narrativa que começa direto ao ponto, não deixa de ser também um filme de origem, afinal, muitos da nova geração não conhecem a fundo a história de Tarzan. Logo, a direção achou uma forma bacana de fazer isso com belos e pontuais flashbacks.

            Quanto aos efeitos especiais não tenho ressalva alguma. Estão magníficos. Destaco, por exemplo, as cenas dos passeios frenéticos de Tarzan nos cipós. Finalmente alguém usou desta artimanha em um filme do herói das Selvas.320939.jpg-r_640_360-f_jpg-q_x-xxyxx - Copia

            A Lenda de Tarzan não fica devendo em nada no fator entretenimento e aconselho a todos darem uma olhada. Não trata-se, porém, de nenhuma obra prima, pois apresenta falhas significantes no roteiro e, em alguns momentos de continuidade, mas nada que tire seu foco do filme. Para os fãs do homem macaco eu digo veemente que tudo está lá. Das conversas com os animais ao grito que se tornou marca registrada de nosso querido Tarzan.

            Minha nota é um bom 8 e digo: vale cada centavo gasto na entrada.

            Recomendo.


Nome: A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan)
Direção: David Yates
Baseado na obra de Edgar Rice Burroughs

Gênero: Ação, Aventura, Drama
País: Estados Unidos
Ano: 2016
Duração: 110 minutos
Classificação: Livre.


Sinopse
Releitura da clássica lenda de Tarzan, na qual um pequeno garoto órfão é criado na selva, e mais tarde tenta se adaptar à vida entre os humanos. Passaram-se anos desde que o homem antes conhecido como Tarzan (Alexander Skarsgård) deixou as selvas de África para trás para uma vida sofisticada como John Clayton III, Lorde Greystoke, com sua amada esposa Jane (Margot Robbie) ao seu lado. Agora, ele foi convidado para voltar ao Congo para servir como um emissário de comércio do Parlamento, sem saber que ele é, na verdade, um peão em uma convergência mortal de ganância e vingança, organizado pelo belga Capitão Leon Rom (Christoph Waltz). Mas aqueles por trás da trama assassina não tem ideia do que estão prestes a desencadear.